segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

Ajuda...

Hoje eu percebi quão sozinha eu estou.

Acho que é isso o que chamam de depressão.

O engraçado é perceber que não dá pra conversar com ninguém sobre isso, para os outros sempre parece algo idiota.

As pessoas mais próximas deveriam ser o porto seguro, mas se eu tentar me agarrar pra me salvar, vou morrer afundando porque o único porto seguro que eu tenho sou eu mesma.

Às vezes eu só queria ter tido mais coragem pra dizer todos os nãos que eu queria ter dito.

Eu sou covarde. Eu tenho medo de não ser boa o bastante pra ninguém. Eu não me amo o suficiente pra aguentar por tanto tempo sozinha.

Eu estou afundando cada dia um pouco mais.

Recentemente eu refleti sobre algumas coisas e fiz algumas descobertas. 

De todas as descobertas que eu fiz, a mais dolorosa foi perceber que eu não sou a primeira opção de ninguém, absolutamente ninguém.

Se eu partisse agora, ninguém perceberia.

Não tenho amigos ou familiares que vão mandar mensagem pela manhã perguntando se eu estou bem. Ninguém nunca pergunta. Ninguém se importa.

Eu tenho tido esses pensamentos, tantas e tantas vezes. Como, onde, quando. 

Fico pensando se vai doer mais ou menos do que já dói agora. 

Se eu dissesse pra alguém essas coisas iriam me chamar de idiota, que quero chamar a atenção, que é frescura. Como a gente faz pra conversar quando passa por isso??!

Eu só quero que isso acabe. 

Eu priorizei tantas vezes as outras pessoas, eu amei tão profundamente todas as outras pessoas, pra agora finalmente enxergar que só eu amei, só eu me importei. 

Depois vão dizer que eu podia ter contado, que podiam ter ajudado, que eu não parecia estar mal, que me amavam, que se importavam. E vão chorar sobre um corpo frio que não vai poder ouvir todas essas mentiras que vão dizer...

Onde estão vocês agora quando eu preciso ser salva?


sábado, 15 de agosto de 2020

Saudade

Saudade é uma palavra complicada e difícil de descrever, só quem sente sabe e entende como é. 

Nunca foi tão difícil escrever, talvez porque eu nunca precisei colocar pra fora como agora. Algumas dores doem tanto que a gente finge que não sente, porque é mais fácil lidar com a dor assim.

Eu descobri que não sei lidar com a dor. Eu ignoro ela, finjo que ela não existe, passo por ela como se não fosse nada, me fecho tanto que até esqueço que ela existe. Mas ela está lá, naquele cantinho dela, esperando pacientemente ser notada para fazer aquele estrago que só ela sabe fazer.

E eu ainda sinto culpa, tanta culpa que nem cabe em mim. Me sinto culpada pelos pensamentos errados que eu tive, pela falta de compreensão que eu tive, pela pessoa ausente que eu fui. Pelas falhas que eu tive e que agora não posso mais concertar. 

Ontem, dia 14/08 foi aniversário dele. O primeiro sem ele aqui.

Sabe quando você de repente lembra de coisas da sua infância que você já tinha esquecido, tipo as brincadeiras, as comidas que gostava, os lugares, os apelidos, coisas pequenas, mas que agora fazem toda a diferença? 

Cara como eu sinto falta de tudo aquilo. Como eu sinto falta dele! 

É tão difícil sentir tudo isso e é tão difícil não ter ninguém pra falar sobre isso.

Quando o mais velho se foi eu sabia o que escrever, eu sabia como eu tinha que passar por aquilo, mas agora eu não sei. Ele foi embora de repente, e eu não pude nem me desculpar pelas minhas falhas como irmã mais nova. 

Eu acho que é a culpa o que dói mais, por isso é tão difícil lidar com a perda dele. 

Eu chorei no velório, eu chorei no enterro, mas desde aquele dia eu tento fingir que nada aconteceu, porque só de pensar nele dói. 

E agora eu fiquei sozinha, sem os dois heróis, sem meus espelhos. Sabe os três mosqueteiros? Agora só sobrei eu.

Eu não consegui nem postar uma foto dele. Porque eu me sinto um lixo como pessoa, um lixo de irmã. Nem ir ver a minha mãe eu consigo porque já lembro dele, penso nele e isso acaba comigo. Eu vou dormir fingindo que não houve nada, que não dói nada.

E todo mundo ao redor acredita.

Eu sinto falta dele, falta de quando a gente era criança e ele brincava comigo de caça ao tesouro, de bonecos de ação, de pular corda, sinto falta de emprestar as moedas do meu cofrinho pra ele e ele nunca devolver. Sinto falta dele me encher o saco e me dar apelidos chatos. Sinto tanta falta dele. 

Não consigo nem ler o texto que eu acabei de escrever, nem pra corrigir se tiver algum erro de ortografia, porque tudo sobre ele dói, até o que eu escrevo, cada palavra.

Quando a gente era criança minha avó reclamava que ele falava muito rápido e que ele podia virar locutor de rádio pra narrar jogos de futebol.

Sinto falta dele. sinto falta do mais velho também. Se eu pudesse voltaria ao tempo em que éramos crianças e abraçaria os dois, tiraria muitas fotos, diria que os amo, daria mais valor à presença deles.

Agora é tarde, eles se foram e eu fiquei. Se eu pudesse trocaria de lugar com eles.

Deus por favor cuida dos meus irmãos.